A primeira da série; não sabia que seria uma série e nem tinha nenhuma experiência com pintura. Através de um trabalho escolar de meus filhos, tive acesso ao material, e acabou saindo uma espécie de alto retrato, pois o corpo do personagem, ficou muito parecido com meu corpo de grávida.
Ali me deu um start e comecei a colocar outras possibilidades dentro dos desenhos com a mesma personagem:
O local da primeira realização em parede; junto ao multirão de revitalização do Festival Mosca, para o DCE Niterói:
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O dia que a leoa, saltou das telas para parede pela primeira vez. Essa leoa nasceu no meu pós-maternidade. Talvez ela é a personificação do puerpério e do luto.
Originalmente nascida na tela em neste momento, a leoa trazia uma máscara de flandres, pela dificuldade que eu sentia de comunicação e de ser interpretada pelo mundo naquela etapa da minha vida, tão minha e dos meus.
Na hora que estava reproduzindo o quadro na parede, me dei conta que poderia ser muito mal interpretada, e poderia ser voltada contra mim, com maldade, por um grupo que não me aceitava. Questões de gênero, e de idade. Alguns feminismos que não estão prontos pra maternidade. A mulher de opinião incomoda em qualquer idade, mas uma mulher amadurecendo incomoda muito mais. Me tolhi da liberdade mas meu primeiro grafite, tive a benção do timming e improvisei um desenho diferente, e foi justamente quando eu me dei conta, que o céu está dentro de nós e que de dentro de nós, também nascem flores.
A segunda realização em parede. Comunidade da Linha, Niterói - Multirão junto ao projeto cultural " Tá na linha"
Rootscidade, foi a primeira mulher selecta do Brasil.O dj que interage com microfone, as vezes canta, tem versões de músicas de bases jamaicanas. É a cultura soundsystem!
Menina periférica, não saiu da barriga em Niterói, mas foi gerada, e desde os primeiros meses de vida, mora nesta cidade, e aqui foi estudante de rede pública, após terminar os estudos adentrou no comércio como vendedora de lojas de roupas. Neste momento cursava comunicação na Universidade Estácio de Sá, porém com muita dificuldade financeira. Foi para o comércio no rio e assim migrou de vendedora, a caixa e depois gerente. Neste momento retornou os estudos de comunicação na Faculdades INtegradas Helio Alonso ( FACHA). No ano seguinte, através da experiência obtida, assumiu a gerencia de uma boate em Campos dos GOytacazes, assim teve contato com os equipamentos de som, e se tornou DJ.
Queria retornar a Niterói, continuou fazendo vestibular, em 2009 ingressou na UFF no curso de produção cultural.
Como selecta/ dj as coisas iam bem. Apesar de alguma dor em não ser reconhecida e não conseguir espaço em sua cidade, porém conseguia se manter como dj através das outras cidades que contratavam. Conheceu outros estados e chegou a ter duas apresentações internacionais. No rio se apresentava junto as principais bandas e fazia aberturas de shows de reggae internacionais em casas como Circo Voador, Fundição Progresso e Casa Rosa.
Em 2012 engravida de gêmeos e se afasta totalmente das atividades por não ter outra forma de gerir a maternidade e a responsabilidade de dois bebês. Neste momento começa a pintar como forma de expressão. A mordaça foi um elemento utilizado como forma de expressão de seu silenciamento nesta estapa da vida.
A mulher leoa foi a primeira experiência da artista como forma de expressão não verbal. A primeira leoa em tela, foi escolhida e será capa de um livro em vistas de lançamento onde experiências maternas de diferentes mulheres das 4 regiões do Brasil falam sobre suas experiências de exclusão, silenciamento e invisibilidade das suas estórias à partir da maternidade.





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